Friday, August 11, 2006

Wednesday, November 30, 2005

FOTO 1

Lembro-me bem do meu primeiro ferimento a sério...aliás ele ainda reside na minha face direita, apesar de quase imperceptível, devido ao passar dos anos.
Era o dia de matricular o meu irmão "acima", na escola primária.
Naquele tempo, a minha vila parecia uma aldeia e os lugares onde hoje crescem torres de cimento bem alinhadas (como as couves e as alfaces), estavam livres e separados por cercas de arame farpado.
Quando voltávamos para casa, a minha mãe permitiu que eu corresse atrás dos meus irmãos. Eles saltaram o arame e eu, como me achava ainda uma miniatura, pensei que estaria liberta desse exercício físico suplementar e resolvi aventurar-me nessa corrida, sem medos nem cuidados.
Mas o arame não teve contemplações com esse meu primeiro devaneio.
No hospital, aguentei firme e engoli todas as lágrimas que consegui.
"Afinal essa coisa de se ser corajoso, com tão pouca idade, nem sempre corre bem..."
No regresso, vinha feliz.
Trazia uma história para contar.
E tinha vencido um medo.

Monday, November 28, 2005

A minha fotografia

Aparentemente, nada há de especial em possuir apenas uma foto da minha fase primária...
A não ser o facto relevante de hoje me encontrar com quarenta anos de idade e querer conhecer melhor a criança que teima em viver e sobreviver, dentro de mim...
Talvez a sequência de imagens em papel, habitualmente guardadas por qualquer mortal, me ajudasse a decifrar a outra face das minhas expressões de infância.
Terei de recorrer às economias que reservo da minha memória, para percorrer os caminhos do meu passado e voltar a encontrar-me...
E se o alvo a atingir se tornar uma bola de neve e eu não a conseguir parar?
E se essa minha necessidade de voltar atrás me fizer reviver mágoas, até hoje habilmente recalcadas e esquecidas, na tentativa de me proteger?
Confesso que é um risco...este meu regresso ao passado!
Mas assumo-o demasiado tentador...

Por muitos suplementos de memória que possua, não vai ser possivel reportar-me aos primeiros dias de vida, como é óbvio, sem me apoiar no que ouvi contar...
"Quando nasceste, vivíamos numa casa sem portas..."
Esta frase faz-me sempre sorrir.
Pois fui a última de sete irmãos e não deve ter sido tarefa fácil controlar uma data de crianças a brincar às escondidas entre as cortinas, enquanto a irmã mais nova nascia.
Mães e mulheres-coragem...as de antigamente.
E foi nesse ambiente de risos e ruídos concentrados de crianças, num misto de ansiedade, curiosidade e inocência...que fiz a minha aparição no mundo.
Quando completei um ano de idade, os meus pais resolveram alugar uma casa enorme, no centro da vila, com muitas portas e janelas.
E foi nessa casa que vivi...até ao dia em que parti em busca de mim.
Mas isso foi muito mais tarde...
Por vezes, sou surpreendida com lembranças, cores e cheiros tão familiares e tão remotos que me levam a "viajar" nesse tempo que passou...mas que ainda é tão sómente meu.

E vai ser, nesta recolha selectiva de memória, que tenciono começar a minha viagem no tempo...

Wednesday, October 26, 2005

Friday, September 23, 2005

Amanhecer....em ti.














V
ale a pena começar...
mais um amanhecer...
em ti!

Sunday, September 18, 2005

À minha amiga Ana




















Quando à noite fecho os olhos
acentuo a escuridão
desisto da luz dos outros
desço ao nível mais profundo
e afundo
onde não há Bem
nem Mal
mergulho em águas negras, perturbadas
e saio pura e fresca
cor cristal.

Maria Teresa Meireles

Wednesday, September 14, 2005

AO MEU PAI
















Parabéns pelos teus 90 anos...

Acredito que repousas num sítio assim...porque o mereces.

Amo-te paizinho.

Friday, September 02, 2005

À avó que nunca tive...

A avó, vista por uma menina de 8 anos

"Uma Avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros. As Avós não têm nada para fazer, é só estarem ali. Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores bonitas nem as lagartas. Nunca dizem "Despacha-te!". Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem apertar-nos os sapatos. Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior. As Avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes.
Quando nos contam histórias, nunca saltam bocados e nunca se importam de contar a mesma história várias vezes. As Avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo. Não são tão fracas como dizem, apesar de morreram mais vezes do que nós. Toda a gente deve fazer o possível por ter uma Avó, principalmente se não tiver televisão."

(recebido por mail)

Mas regressei assim: Diferente entre iguais

Tuesday, April 26, 2005