Monday, June 25, 2007

Não há sombra sem luz


Para quem se sente à deriva,
no mar alto…
Para quem chega à sua terra e não reconhece
a casa onde nasceu…
Para quem conta uma história e se esquece
do final…
Para quem lê um livro,
apenas nas entrelinhas…
Para quem chora um ente querido que nunca conheceu…
Para quem já não ouve o som das palavras que profere,

Eu passo a gritar:
Não há sombra que não tenha luz…

LC

Thursday, June 21, 2007

Estupidamente eu...


Estupidamente serena…
É assim que te olho, te vejo, te incrimino e recrimino.
Porque adias os meus desejos e me cobras erradamente,
O meu passado.

Estupidamente confiante…
É assim que tu és.
Porque avanças à descarada, te fundes e confundes…
Uma, duas e três vezes…

Estupidamente inteligente…
É assim que eu sou.
Porque recupero tudo o que levas de mim…
Sempre que eu quero.
LC

Sunday, June 17, 2007

Não sou de ninguém...



Não voltes a curvar-te diante de mim,
Como se eu fosse a melhor pessoa do mundo,
E com isso te entregasses nas minhas mãos de anjo…
Que eu não sou!


Não voltes a fazer eco no meu peito,
Com esse grito de desculpa que amarrota o meu querer,
Por ti…


Eu não sou quem tu vês,
Nem te trago guardado para sempre.
Nem te retribuo na amplitude da tua entrega...
Nem ouço os teus gemidos de dor e de prazer,
Por mim…


Eu não sou de ninguém…
Nem de mim,
Nem de ti!

LC

Tuesday, May 29, 2007

Tudo é possível...



Tudo é possível…

Desde enlouquecer de paixão no meio dos teus braços…
A deixar-te escapar suavemente por entre os dedos.

Desde uma zanga feroz que te leve ao mais puro desespero…
Até ao máximo da ternura com que te percorro a pele.

Desde gritar-te “RUA” para poder respirar…
A correr desenfreadamente pelas ruas da cidade à tua procura.

Desde matar-te da memória e jurar que é para sempre…
A ver-te em cada esquina e teimar que és tu e sempre tu.

Tudo é possível…

Desde matar-te.
A pura e simplesmente te amar.



LC

Monday, May 21, 2007

Pega no telefone, porra!



Sei que já te vi algures…
Quando eras apenas forma e sombra
E percorrias todos os meus caminhos e abrigos…

Sei que já te senti em tempos…
Quando à mais leve brisa
O teu perfume me inundava e convencia
Da tua presença…única.

E é por saber-te e sentir-te de outros ventos…
Que te imploro,

Não me procures sem rumo,
Não me inventes sem razão,
Não me mates pouco a pouco…

Pega no telefone, porra!

Thursday, May 10, 2007

Foda-se...que raio de sonho


Ainda tentei beijar os teus olhos…
Achava que assim me verias de outra forma,
Que regressavas ao toque dos meus dedos,
E voltavas a chamar-me de princesa…

Ainda tentei reaver as tuas cores,
O sabor agridoce do teu sémen….
Achava que assim regressaria o teu tempo, a tua calma
E eu fosse de novo dona de ti…

Ainda tentei que lutasses de novo dentro de mim,
E provasses de novo o meu suco de cânhamo e canela…
Achava que assim voltavas a morrer nos meus braços e
A suplicar-me mais, mais e mais…

Mas não saíste do lugar…
E fizeste do teu silêncio uma verdade fria…



E quando finalmente me deste a mão e balbuciaste:
“Não vás…”
E tentaste lamber as minhas feridas mais recentes…

Eu acordei e disse:
“Foda-se…que raio de sonho”

LC

Monday, May 07, 2007

Alma algo errante



Houve tempos em que o meu corpo era apenas teu.
E que a minha alma era algo errante…
E lutava contra ventos e marés à tua espera.
Houve um tempo em que me vestia de culpa…
E me sentia imperfeita,
Na perfeição de tudo de ti,
Nesse tempo, manipulavas-me a vontade,
Acertavas os meus ponteiros,
E fazias com que oscilasse no teu gosto e no teu desejo…
E eu,
Chorava feliz duma mágoa escolhida por ti.
Mas esse tempo morreu.
E quando pensavas…
que os meus gritos ainda eram os teus,
que os meus gemidos ainda eram de prazer,
o teu querer o meu querer…
e o meu caminho sem saída…
eu gritei bem forte,
sim.
Mas não de tesão por ti,
Não de orgasmos sucessivos…
Gritei de liberdade,
Sem fantoches, fantasmas ou tabus …
E passei a liderar a minha vida,
A comandar os meus sentidos,
E percebi que não eras humano,
Apenas uma personagem à procura duma alma algo errante…
Que te alimentasse a tua sede de poder,
E foi aí…
que te devolvi os pensamentos,
as esperas,
a fé,
a entrega,
e todos os meus sonhos de mentira…
te disse Adeus…
e segui o meu caminho!


LC

Tuesday, April 10, 2007

Mais só do que nunca...



Eu não sou tão forte como pensas…
Nem sempre faço da razão a minha arma…
Nem sempre te busco para te ouvir de novo:
“Sem ti, a minha vida não faz sentido…”
Às vezes,
Quando os meus fantasmas me perseguem…
(eu também tenho fantasmas)
E te procuro…
Frágil,
Desprotegida,
À espera que me entendas a fraqueza…
Tu repetes:
“Sem ti, a minha vida não faz sentido…”
E eu não tenho coragem de te negar esse aconchego…
Que tu pensas que me alimenta!
E…
Regresso a mim…
Muito mais só do que nunca!


LC

Wednesday, April 04, 2007

Destino



Se me disseres que a culpa é do destino…
Escrito e reescrito…
E que vou continuar a procurar-te…
Passo a passo,
Entre a tua e a minha rua…

Se me disseres que te vou ganhar e perder…
Sempre que esse destino malfadado,
Cruzar o nosso caminho…

Se me fizeres percorrer de novo o passado e
Todos os lugares onde me amaste…
Onde te amei…
e onde morri, pouco a pouco..
sempre que me afagavas o rosto e me dizias:
“É o nosso destino…”

Eu vou voltar a esse nosso tempo…
E encontrar-te num rosto…
bem longe de ti!

LC

Friday, March 16, 2007

Gemido de ti


Se eu pudesse abraçar-te e colar-te a mim…
E fazer do teu peito o meu porto de abrigo…
Embalar-te nos braços,
Beber tua seiva…
E guardar cada gemido de ti…

Se eu pudesse…
Ai, se eu te pudesse arrancar de novo…
As palavras loucas,
Do acordar,
Do deitar,
E sempre que te entranhavas neste meu corpo,
Teu,
Meu e…
Sedento da tua língua infinda…
Que se demorava em cada curva de mim…
E me sorvia,
Me bebia,
E me roubava cada gemido de mim…

Ai …
Se eu pudesse…
LC

Thursday, January 18, 2007

No veludo do meu corpo nu...


E ouvir de novo a tua voz…
E deixar que me voltes a sussurrar…
E entregar-me de novo às tuas mentiras…
Ousadas,
mal e benditas,
verdades interditas,
sentidas e breves…
E deixar-me afogar,
nesse chorrilho de nomes,
belos,
loucos…
Que me deixam sem rumo,
sem saída…
Como gritos que me prendem…
A ti.

(e quando a razão regressa…)

Encho o peito de vaidade e…
Imagino que…
Tudo não passou dum temporal de emoções e…
Fico,
de novo,
senhora e segura de mim…
E faço com que partas…
E me deixes apenas…
O prazer de te lembrar,
navegando,
no veludo do meu corpo nu.

LC

Wednesday, January 17, 2007

Porque sim...



Mandei-te para longe…
Achei que estava muito melhor sem ti…
Apaguei-te.
E respirei…de alívio.

E isso tudo aconteceu…
Porque sim.

Porque já não posso amar…
Apenas a ti.

Porque me cansei…
De não conheceres todos os meus sorrisos.

Porque me lembrei…
(assim de repente)
Que posso amar…muito para além de ti.

A mim.
Exactamente a mim....
até voltares a invadir as paredes do meu quarto e
todas as metades do meu dia e
até fazeres com que te veja...
em todos os rostos…
no meu regresso a casa….

Aí…
talvez aí...
eu regresse a ti..
por me cansar de saber de cor…
Todos os meus sorrisos!

LC

Wednesday, January 10, 2007

Nada acontece por acaso...


Hoje cruzei-me contigo…
mas não te olhei.
Senti-te tão perto como dantes…
o mesmo calor,
a mesma postura,
o mesmo ar apressado,
de quem foge de tudo e de nada.
Senti-te roçar de leve o meu ombro,
os teus dedos tocarem os meus…
um instante cheio de tanto e coisa nenhuma!...

Desci ainda mais o meu olhar…
e parte de mim se foi…
e parte de mim ficou,
sem mais ninguém perceber,
no meio da multidão!...

E…
só muitas horas mais tarde,
entendi,
apreendi e…aprendi!

Nada acontece por acaso!
Porque foi por um acaso…que nada aconteceu…!
LC

Friday, December 15, 2006

Linda...como só tu consegues ser!


Quando sentires que é o peso do mundo que trazes no peito…
Que o espelho te devolve sempre a imagem errada…
Que nada do que dizes é entendido…
Que o mundo acaba a cada “não” que ouves…
Que nasceste no sítio errado e à hora errada…
Que consegues amar e odiar alguém ao mesmo tempo…
….
….

Experimenta sentar-te junto ao mar…
E fazer com que o teu grito se confunda com o barulho das ondas…


Depois…
Talvez aches que toda essa revolta que armazenas aí…
Faz parte de ti…
Como menina,
Como “quase mulher”,
E faz de ti
Linda …
Como só tu consegues ser!
LC

Thursday, November 30, 2006

Essencialmente...muito prazer!



Se for essa a tua ideia…
E resolveres voltar atrás,
Nas tuas decisões de última hora….
Talvez eu volte a fechar os olhos…
A abrir de novo os meus braços,
O meu coração…
E o outro lado da minha cama…
E te deixe entrar de novo,
Na minha vida..
Mas terá de ser…
Bem de mansinho…
Como quem renasce a cada gesto…
E volta a pintar
Cada dia e cada noite,
Com pedacinhos de,
Mel,
Suor e prazer…
Essencialmente muito prazer…!

LC

Sunday, November 26, 2006

Dá-me as tuas mãos...


Dá-me as tuas mãos…
Deixa que faça com elas…
o regresso de todas as memórias de ti...
Deixa que o meu corpo as retenha…
Em cada curva e recanto…
Onde elas já se perderam sem fim…
Dá-me, de novo, as tuas mãos abertas…
Mas não voltes a deixar escapar por entre os dedos…
O meu rosto…
O meu peito…
E,
Todos os pontos da minha pele,
Onde me juravas que me querias,
Sempre e sempre…
E eu sorria,
E acreditava,

Como ainda hoje acredito…
Que é assim…
Que vale sempre a pena!
LC

Monday, November 20, 2006

Também te guardo a ti...


No meu passado guardo…
Risos,
Beijos,
Brinquedos,
Escola,
Pão com manteiga,
Casa da avó,
Chocolate,
Saudade,
Lembrança,
Flores,
Chuva,
Frio,
Praia…
E também te guardo a ti…
E agora?
Como me livro das recordações de ti…
Sem perder tudo o que já vivi?

LC

Tuesday, November 14, 2006

Fica...



Fica…
Fica sempre assim perto de mim…
Mas não me toques…
Não permitas sequer…
Que a minha pele volte a fazer parte…
Do trajecto dos teus dedos…

Não voltes a enganar a minha noite,
Com essa luz maldita…
Com que vestias o teu olhar…
O meu olhar…
e alimentavas todas as estrelas do meu céu….

Já não te quero…
Já não te posso querer…

A não ser que voltes a desenhar…
Aquele coração estúpido na areia…

E eu volte a acreditar em ti!...

LC

Monday, November 13, 2006

Friday, November 10, 2006

Leva-me daqui...



Leva-me daqui…

Leva-me nas asas protectoras,
Onde me abrigo,
Sempre que me adivinhas perdida!

E eu…
Porque te confio a minha alma…
E os meus segredos…
Escondo-me em ti…

E vou!...

Porque não quero que mais ninguém me veja!

LC